Prefeito sanciona programa contra obesidade em Campinas, mas veta semaglutida no SUS
14/01/2026
(Foto: Reprodução) Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade
Divulgação
O prefeito de Campinas (SP), Dário Saadi (Republicanos), sancionou a lei que cria o Programa Municipal de Prevenção e Combate à Obesidade, mas vetou os trechos que tratavam do uso da semaglutida como tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) do município.
🔎 A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy e ganhou popularidade por ser efetiva na perda de peso. A substância simula o funcionamento de um hormônio no corpo (o GLP-1) e, originalmente, foi desenvolvida para o tratamento da diabetes.
A lei nº 16.868 foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (14). O objetivo do programa, segundo o texto, é prevenir e combater a obesidade “por meio de ações intersetoriais que promovam hábitos saudáveis”.
O que o programa prevê?
Entre as principais ações aprovadas estão:
🥗 campanhas, palestras e fóruns sobre os riscos da obesidade e do sedentarismo e os benefícios da alimentação saudável e da prática de atividades físicas;
🍎 programas de educação nutricional e física em escolas, unidades de saúde e espaços comunitários;
🩺 diagnóstico precoce da obesidade e de doenças associadas nas unidades básicas de saúde;
👨⚕️ acompanhamento multiprofissional de pessoas com sobrepeso e obesidade;
📈 criação de um banco de dados municipal para monitorar casos de obesidade;
📋 realização de estudos técnicos sobre tratamentos para a obesidade.
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O que foi vetado?
O prefeito vetou as partes do projeto que:
previam a introdução da semaglutida como parte do tratamento contra a obesidade no SUS municipal;
autorizavam a firmação de convênios específicos para o uso do medicamento.
Por que houve o veto?
De acordo com a Prefeitura, a decisão foi baseada nos seguintes fatores:
a inclusão de medicamentos no SUS é uma competência do governo federal, não dos municípios;
a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) deu parecer contrário à incorporação dos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida no SUS.
Funcionamento da semaglutida no corpo
A semaglutida é uma das principais substâncias de canetas injetáveis utilizadas para os tratamentos de diabetes 2 e obesidade.
Diferentemente dos remédios mais atuais, como a tirzepatida, por exemplo, a semaglutida simula o funcionamento de somente um hormônio do corpo: o GLP-1.
Naturalmente, esse hormônio é secretado principalmente pelas células do intestino. Ele vai até o cérebro, no hipotálamo, e estimula algumas células, diminuindo o apetite.
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Contudo, o GLP-1 tem um tempo de vida curto. A DPP4, uma enzima produzida pelo nosso organismo, acaba rápido com o efeito do hormônio, fazendo com que a sensação de fome ocorra rápido.
No caso dos medicamentos que simulam a ação do hormônio, há uma resistência à ação da enzima DPP4, fazendo com que durem mais no corpo. Com isso, o medicamento reduz o apetite e dá saciedade.
⚠️ Ele precisa estar inserido em uma estratégia de tratamento e ser administrado junto ao acompanhamento de um médico.
Segundo o estudo STEP 1, publicado no The New England Journal of Medicine, a semaglutida 2,4 mg (Wegovy) promove uma perda de peso média de 17%, com um terço dos pacientes atingindo uma redução superior a 20%.
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