Casca da jabuticaba pode melhorar atenção e controlar apetite, aponta estudo da Unicamp
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Imagem de arquivo mostra galho com jabuticabas.
Reprodução/EPTV
Um estudo clínico conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Universidade de Lund, na Suécia, indicou que a casca da jabuticaba pode contribuir para a saúde do cérebro e o controle do apetite.
O artigo, publicado na Food Research International em dezembro de 2025, apontou que o consumo regular do pó feito a partir da casca da fruta melhorou a capacidade de atenção logo após a ingestão e reduziu marcadores inflamatórios em adultos saudáveis - entenda abaixo.
Embora a polpa da jabuticaba seja popular em geleias e sucos, os pesquisadores destacam que é na casca que se concentra a maior parte dos compostos bioativos, como antioxidantes e fibras, essenciais para a prevenção de doenças crônicas. O estudo buscou transformar esse subproduto, geralmente desperdiçado, em um ingrediente funcional capaz de atuar no organismo.
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Como foi feita a pesquisa?
O estudo recrutou 19 adultos saudáveis (8 homens e 11 mulheres), com média de idade de 27 anos, para participar de um experimento do tipo crossover — ou seja, todos os participantes passaram por duas fases diferentes, servindo como seu próprio controle.
Durante quatro semanas, os voluntários consumiram diariamente uma bebida feita com 7 gramas de pó da casca de jabuticaba misturado em água — o equivalente a pouco mais de uma colher de chá cheia.
Em outra fase, também de quatro semanas, eles tomaram uma bebida “placebo”, com a mesma quantidade de açúcar e fibras, mas sem jabuticaba. Entre as fases, houve um intervalo de um mês sem a bebida especial.
Nos dias 1 e 28 de cada fase, os participantes iam ao laboratório, ingeriam a bebida e realizavam testes. Nos dias normais, em casa, a dose era dividida em três partes: manhã, tarde e noite.
Quais foram os resultados?
Os pesquisadores descobriram que, embora a jabuticaba não tenha alterado os níveis de açúcar ou insulina no sangue, ela trouxe outros benefícios importantes para a saúde:
Redução de marcadores inflamatórios: quando elevados, podem atrapalhar o funcionamento da insulina.
Ação antioxidante: houve redução de um indicador de estresse oxidativo, sugerindo proteção contra danos celulares.
Melhora cognitiva: no teste de "atenção seletiva", que avaliou a capacidade de focar e processar informações, quem tomou a jabuticaba teve um desempenho melhor 45 minutos após o café da manhã, com 11% mais acertos.
Controle do apetite: participantes relataram redução na fome e no desejo de comer durante o período com jabuticaba, em comparação ao placebo.
Como a jabuticaba atua no organismo?
Imagem de arquivo mostra jaboticabeira com frutas.
Débora Magalhães
Segundo o professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Mário Roberto Maróstica, um dos orientadores do estudo, a jabuticaba ajuda no controle do apetite porque estimula a produção de GLP-1, composto presente em medicamentos como o Ozempic.
"Quando a fruta chega no intestino, ela ativa células responsáveis por liberar esse hormônio, que sinaliza para o pâncreas produzir insulina. Esse processo melhora a ação da insulina, o metabolismo da glicose e até a cognição, além de contribuir para reduzir inflamação e regular o apetite", explicou.
Ele ressaltou que a jabuticaba é um alimento, e não um medicamento: “O efeito do consumo é preventivo e menos intenso, e não substitui tratamentos médicos.”
Pode prevenir perda de memória?
O estudo sugere que o consumo da jabuticaba pode ajudar a prevenir a perda de cognição. Isso porque a resistência à insulina está ligada à produção da proteína Tau fosforilada, associada à formação de emaranhados neurofibrilares — um dos sinais da doença de Alzheimer.
“A jabuticaba age dentro e fora do neurônio e consegue modular a cognição ao reduzir marcadores associados ao Alzheimer, que, por si, está ligada à perda de memória”, afirmou o pesquisador.
Ele reforçou que os estudos são voltados para prevenção, não para tratamento: "Dependendo do estágio que você está, é irreversível com a ciência que a gente tem hoje em mãos. Mas a jabuticaba está associada a uma melhora preventiva.”
*estagiária sob supervisão de Fernando Evans e Bárbara Camilotti
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